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quinta-feira, 29 de maio de 2014

É tudo culpa do Facebook!

É sim, é tudo culpa do Facebook.

Quer dizer, e do tempo de morada em São Paulo, e do tempo (e energia) dedicados ao mestrado (que acabei - uhu!!), mas, essencialmente, é culpa da Facebook o abandono desse blog...

Quando o criei, queria misturar informação, música, arte, coisas interessantes, bonitas, legais... e uma pitada de crítica aqui e acolá...

E por um bom tempo foi assim... Até que o tempo encurtou, e o tal do FB tornou tudo mais "prático". Tá tudo ali já, é só "curtir"e "compartilhar". Mas no fim das contas, isso se torna tão automático que ninguém se lembra mais do que curtiu ou compartilhou ontem mesmo.

É uma avalanche de informações, opiniões, críticas... Às vezes fica difícil de respirar com "tanta babaquice, tanta caretice, dessa eterna falta do que falar", como diria Cazuza...

Mas aqui estou!
Voltando à superfície desse "mar-sem-fim-que-mais-parece-areia-movediça", chamado Facebook, pra respirar um pouco. =P
Porque todo mundo entra na onda e acaba fazendo a mesma coisa... e eu também estou nessa.

Não que vá abandonar o troço, né. Afinal, fazendo uma boa garimpagem, a gente encontra coisas bem legais por lá, e mantém contato com pessoas queridas que estão distantes... Ou reencontra aquelas pessoas que há muuuuuuuito tempo não se via, nem se tinha notícias... É, o negócio não é só coisa ruim também. =)



Mas agora que terminei o dito mestrado, e não estou mais morando na enlouquecedora São Paulo... [   \o/   ] tenho mais tempo para me dedicar a outras coisas que gosto e que me fazem bem. Como, por exemplo, alimentar esse blog! =D
E tendo ou não alguém que leia, voltarei a colocar aqui informações e outras coisas que ache interessantes, bonitas, legais...

E aos leitores acidentais ou assíduos, sejam bem-vindos de volta!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

7 de setembro de 2012 (E 7 de outubro também)

"Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria
Não se pode fechar os olhos
Não se pode olhar pra trás
Sem se aprender alguma coisa pro futuro "
[L'avventura - Legião Urbana]

Depois de muito tempo sem aparecer por aqui, retorno em uma data especial.

7 de setembro, dia em que o Brasil comemora a sua Declaração de Independência, processo que culminou com a emancipação política do território brasileiro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no início do século XIX, e a instituição do Império do Brasil. Oficialmente, a data comemorada é a de 7 de setembro de 1822, em que ocorreu o chamado "Grito do Ipiranga". De acordo com a historiografia clássica do país, nesta data, às margens do riacho Ipiranga (atual cidade de São Paulo), o Príncipe Regente do Brasil, então D. Pedro de Alcântara de Bragança (futuro imperador Dom Pedro I do Brasil), terá bradado perante a sua comitiva: "Independência ou Morte!".


Pois bem.

Nossa nação é independente. Nosso país tem constituição.
Nosso povo tem representação política.
E na nossa bandeira, está escrito "Ordem e Progresso".

Por que, então, nosso país ainda não tem bons sistemas de educação e saúde, e distribuição de renda justa? 

Eu tenho um palpite.

Nossos representantes políticos não investem em educação porque, se um povo numeroso como o nosso se torna inteligente, ele se torna capaz de reflexão crítica, e essa reflexão crítica pode levar a mobilização, que pode gerar mudança. Acordaríamos um gigante. E isso, meus concidadãos, acabaria com a farra da corrupção dentro da política. Porque um povo educado é também consciente.

Mais ainda, enquanto nosso povo não tem EDUCAÇÃO PÚBLICA E DE QUALIDADE PRA TODOS, formamos de maneira torta os profissionais do futuro. Formamos pessoas sem noção de seu lugar em uma nação, sem noção de seus DIREITOS E DEVERES (ambos importantes), sem capacidade de empatia e sem SENSO DE RESPONSABILIDADE para com os outros. Um caso muito notável é, por exemplo, nossos médicos endeusados que não são capazes mais de olhar-nos nos olhos, pois para eles, somos apenas mais um número.

É daí que saem nossos médicos, advogados, engenheiros, professores e todos os demais profissionais que fazem um país funcionar. E é daí, também, que saem os nossos REPRESENTANTES políticos - que NÃO nos representam. Que representam apenas a si mesmos, visto que o único salário que se preocupam em ajustar, é o seu próprio. Aliás, a desigualdade entre o salário de um parlamentar e de um professor é algo que já ultrapassou todas as noções de absurdo em que possamos pensar.

Então, pessoal, é o seguinte.

Daqui a um mês, exatamente - 7 de outubro de 2012, será dia de eleições municipais.

Exerceremos um direito do cidadão brasileiro.

E eu torço para que tenhamos mais consciência ao exercer esse direito. Torço para que escolhamos a dedo nosso candidato e, mais importante que isso, não esqueçamos quem ele é na semana seguinte. Existem maneiras de acompanhar o seu trabalho e é só assim que saberemos se foi uma boa escolha, e só assim poderemos cobrar os investimentos naquilo que realmente importa para o nosso país.

Vamos também fazer valer uma iniciativa do nosso povo, a Lei da Ficha Limpa*, que já vigora nessas eleições.


Vamos fazer valer a nossa independência.

Um feliz 7 de setembro a todos!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sobre a loucura... (18/05)

Pelo Dia da Luta Antimanicomial - 18 de maio.

A loucura é o último recurso para lidar com o sofrimento psíquico.
Alguns têm mais recursos, outros menos. Mas ninguém está livre de sofrer.
Portanto, ninguém está livre de enlouquecer...


Trecho do filme "Bicho de sete cabeças" (2001)
Direção:  Laís Bodanzky
Roteiro: Luiz Bolognesi
Baseado no livro autobiográfico de Austregésilo Carrano Bueno, "Canto dos Malditos".

"É preciso fingir, quem é que não finge nesse mundo? Quem? É preciso dizer que está bem disposto. É preciso dizer que não está com fome. É preciso dizer que não está com dor de dente. É preciso dizer que não está com medo. Se não, não dá. Não dá. O médico jamais me disse que a fome e a pobreza podem levar ao distúrbio mental. Mas quem não come fica nervoso, quem não come e vê seus parentes sem comer pode chegar à loucura. O desgosto pode levar à loucura. Uma morte na família, o abandono do grande amor. A gente até precisa fingir que é louco sendo louco. Fingir que é poeta sendo poeta...."

O Buraco do Espelho
[Arnaldo Antunes]

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve

já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Occupy Wall Street -> Occupying our minds

"Occupy Wall Street" [OWS] se tornou um estado de espírito, que está se espalhando pelo mundo.

É o que eu penso, assistindo e ouvindo acontecimentos no mundo todo, perto de mim e, também, diretamente comigo.

Digo por que.

Fui (tentar) viajar neste último feriadão do dia 15 de novembro. Digo "tentar" porque foi bem difícil  embarcar no ônibus que, à princípio, deveria ter saído às 21:25h. Era de se esperar, racionalmente, algum tipo de atraso, pelo fato de ser véspera de feriadão, na rodoviária de uma capital, de onde milhares de cidadãos estavam tentando sair - na mesma hora. Mas aconteceu que ônibus com horário marcado após as 21:25h chegavam, embarcavam e saíam, sem que o das 21:25h tivesse dado qualquer sinal de estar chegando. Além disso, os motoristas destes ônibus diziam que "estavam todos perdidos".

Eu e outra passageira, então, nos dirigimos a uma sala (supostamente) VIP, que pertencia à empresa do nosso ônibus e mais 3 outras empresas. Aí começou a peripécia. Não conseguimos informação ali. Não só as funcionárias não sabiam o que havia acontecido com o ônibus, como não sabiam sequer o nome do responsável da empresa. Nos mandaram então até o guichê onde compramos as passagens. Nada lá também. Só nos diziam que o ônibus estava chegando (o mesmo que estavam dizendo desde às 21:15h, sendo que já era +ou- umas 22:30h). Nos mandaram de volta à plataforma, onde deveriam estar duas pessoas lá - RESPONSÁVEIS - da empresa.

Já havia um moço ali no guichê, indignado, principalmente com o fato de ninguém do outro lado do balcão mostrar qualquer sinal de empatia com a situação dos passageiros, ainda nos mandando procurar a solução em outro lugar - justamente o lugar de onde estávamos vindo, onde não havia ninguém da empresa (porque mais estaríamos ali??).

Nesse meio tempo, apareceram outro moço e uma menina - vindos da plataforma, informando ao senhor que nos "atendia" que os passageiros deste tal ônibus problemático haviam se instalado, juntamente com suas malas, no espaço onde eram feitos os embarques. Ou seja, nenhum ônibus mais iria fazer embarques, enquanto o nosso não chegasse. Nem preciso dizer que isso causou uma confusão enorme na rodoviária, já que outros ônibus começaram a atrasar também, devido a essa nossa ocupação. Houveram várias tentativas dos funcionários para nos tirar dali, mas ninguém se mexeu, inclusive ocupando outro box, que estava sendo utilizado pelas empresas da sala VIP mencionada. Alguém então gritou: "se vocês não saírem, vamos chamar a polícia!". Sabem qual foi a resposta? Pode chamar. Gostaríamos muito que alguém resolvesse essa situação. Afinal, nós estávamos com a razão.  

Placa do movimento OWS
A primeira falha dessa empresa foi não ter disponível um ônibus extra  para o caso de algum ônibus estragar (algumas empresas fazem isso, colocam todos os ônibus para viajar, para lucrar mais quando chega uma época de grande movimento - como um feriadão, por exemplo). A consequência disso é que, se um ônibus, de fato, estraga, não há o que fazer a não ser esperar que este ônibus seja concertado. A segunda falha foi a total desconsideração e falta de respeito com os passageiros deste ônibus, que não foram informados do que estava acontecendo e foram simplesmente abandonados a esperar um ônibus que ninguém sabia se iria chegar ou não.

A atitude correta da empresa seria, primeiro, ter um ônibus extra.. Segundo, dirigir-se aos passageiros dizendo: "Senhores passageiros do ônibus X, com saída prevista para as 21:25h, o referido ônibus teve problemas, os quais estamos tentando resolver e, dentro de tanto tempo, esperamos efetuar o seu embarque. Favor aguardem em tal lugar" (a sala VIP então serviria, quem sabe, para alguma coisa)".

Enfim, depois de muito tumulto e muito cansaço, o nosso ônibus finalmente apareceu. À meia-noite.

Ah! E nenhuma das pessoas da empresa, que deveriam estar na plataforma, apareceram. Pelo menos em todo o tempo em que estávamos ali.

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Peço desculpas pela história longa, mas achei que deveria compartilhar a experiencia, como ela ocorreu.

Durante a nossa pequena "ocupação" e depois também, conversando com alguns passageiros - todos jovens, na faixa dos 20, 30 - ouvi um passageiro dizer que viaja há muito tempo, e já viu muitas situações assim acontecerem, inclusive com ele, mas que nunca ninguém se movimentava, se organizava e protestava, da forma como fizemos aquele dia, para reivindicar alguma solução.

E eu acredito que isso só aconteceu pelo espírito do movimento OWS, que se espalha pelo mundo, inspirando pessoas de todos os lugares e em diversas situações.

Placa do OWS

As pessoas não querem mais ficar caladas diante daquilo que está - de forma clara e cristalina - errado. As pessoas estão tomando consciência do poder da maioria, do poder que temos se juntarmos as forças para lutarmos por aquilo que achamos mais correto, mais adequado para nós.

Eu aplaudo o movimento OWS, pela coragem, determinação, clareza de organização. Sei que este movimento se inspirou em outros eventos ocorridos anteriormente, na Espanha, além dos eventos ocorridos nos países Árabes, também.

Mas a repercussão mundial se deve ao OWS. A força de perpetuação das idéias, também.
A clareza com que os manifestantes enxergam os meios corretos de agir, de expôr as idéias - SEM VIOLÊNCIA, não cansam de repetir - também.

Vejo as notícias de cada região, país, estado, fazendo o seu próprio "Occupy...", e torço para que as pessoas mantenham a clareza dos meios, já que os objetivos variam de acordo com as necessidades de cada grupo.

O MOVIMENTO OCCUPY WALL STREET INSPIRA AS PESSOAS A MANIFESTAREM AS SUAS INSATISFAÇÕES - MAS COM ARGUMENTAÇÃO BEM FUNDAMENTADA E SEM VIOLÊNCIA ALGUMA - Esta é a sua mensagem principal.


Espero que esse espírito se perpetue e permaneça nas pessoas. Que se torne uma postura através da qual as pessoas reivindiquem aquelas coisas que são NECESSÁRIAS A TODOS, mas que no caminho torcido seguido pela humanidade até agora, tem estado disponível apenas para poucos.



Nicole Nothen de Oliveira

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Formiga



Às vezes, quando estou a caminho do trabalho, pensando o quanto estou cansada e quanto ainda há para ser feito, penso naquela formiga que cruza o meu caminho carregando algo que pesa muito mais do que ela.

Sim, as formigas conseguem carregar um peso até 100 vezes maior do que o seu próprio.

Quando as vejo fazendo isso, penso que elas vivem trabalhando para um bem comum. Mesmo se não tiverem consciência disso...

E eu acredito que, se for para o bem comum, todo trabalho vale a pena.

Então,  lá vou eu carregar a folhinha que me compete!

Um bom final de semana a todos!

sábado, 15 de outubro de 2011

Ocupar Wall Street / Wind of Change

Placa da Manifestação
"Occupy Wall Street"
"Enquanto um povo é constrangido a obedecer e obedece, faz bem; tão logo ele possa sacudir o jugo e o sacode, faz ainda melhor; porque, recobrando a liberdade graças ao mesmo direito com o qual lhe arrebataram, ou este lhe serve de base para retomá-la ou não se prestava em absoluto para subtraí-la.
(...)
"Enquanto numerosos homens reunidos se consideram como um corpo único, sua vontade também é única e se relaciona com a comum conservação e o bem-estar geral. Todas as molas do Estado são então vigorosas e simples, suas sentenças são claras e luminosas; não há interesses embaraçados, contraditórios; o bem comum mostra-se por toda parte com evidência e apenas demanda bom senso para ser percebido. A paz, a união, a igualdade são inimigas das sutilezas políticas. Os homens retos e simples são difíceis de enganar, justamente em virtude de sua simplicidade; os engodos, os pretextos refinados, não se impõem a eles, que, de resto, não são assaz sutis para serem tolos. Quando vemos, entre o povo mais feliz do mundo, grupos de camponeses regularizarem, à sombra de um carvalho, os negócios do Estado, e se conduzirem sempre com sabedoria, podemos evitar o menosprezo dos refinamentos das outras nações, que se tornam ilustres e desdenhadas com tantos artifícios e mistérios?

[Trechos do livro de Jean-Jacques Rousseau, O Contrato Social (1972).]

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Manifestante da
"Occupy Wall Street"
Desde o dia 17 de setembro de 2011, manifestantes ocuparam  o Parque Zucotti, próximo ao coração do mercado financeiro de Nova York - na Wall Street, protestando contra a dominação das corporações sobre a política (este movimento está sendo denominado "Occupy Wall Street"). Mas esta é apenas uma de suas manifestações, uma vez que representantes do movimento já declararam que a ocupação é apenas uma oportunidade para as diversas nações do mundo também manifestarem as suas insatisfações e, dessa forma, buscarem caminhos para um futuro melhor do que este que se apresenta - tão confuso, incerto e repleto de perspectivas apavorantes.

Com esses acontecimentos, penso que a população mundial esteja começando a se dar conta de que, somente unindo forças de todo e cada cidadão do mundo, em prol dos mesmos objetivos e valores, poderemos vislumbrar a possibilidade de reverter a situação em que nós mesmos nos colocamos. E não é apenas permitindo a dominação de grandes corporações que agem dentro da política, mas também no nosso dia-a-dia, quando não levamos em consideração as consequências dos nossos atos para a vida no planeta, que acabamos perdendo as rédeas do nosso futuro.

O bem-comum só será alcançado pelo esforço comum em direção a ele.

Será o vento da mudança?



Wind of Change
Scorpions
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A seguir, links para notícias relativas ao tema "Ocupar Wall Street":

Venham todos ocupar Wall Street, pede Michael Moore
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18595

Naomi Klein: Ocupa Wall Street é o movimento mais importante do mundo hoje
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18653

Chomsky apoia movimento Ocupa Wall Street
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18609

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

El puente (2)

Desde a minha graduação, direcionei os meus trabalhos para o estudo psicossocial da identidade.

Em um deles, nós fazíamos grupos com adolescentes e ali discutíamos a construção da identidade e as consequências desse processo na vida deles (e de alguma maneira, acabamos refletindo sobre a nossa também).

Uma das conclusões desses trabalhos foi que, independentemente da época da vida em que nos encontramos, chegaremos - vez ou outra - em um ponto onde teremos que tomar decisões e, dessa maneira, perder e ganhar coisas ao longo do caminho.

Um símbolo desse trabalho foi, na época, a ponte*, representando a travessia que os adolescentes têm de fazer rumo à vida adulta.

Agora, a ponte aparece mais uma vez pra mim, talvez trazendo representações outras... que ainda estão por ser reveladas.

Seja qual for a forma que isso ocorra, a ponte tem, certamente, um alto valor simbólico...

Assim, deixo vocês com um poema muito bonito de Mário Benedetti, "El Puente":


El Puente

Para cruzarlo o para no cruzarlo
ahí está el puente

en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país

traigo conmigo ofrendas desusadas
entre ellas un paraguas de ombligo de madera
un libro con los pánicos en blanco
y una guitarra que no sé abrazar

vengo con las mejillas del insomnio
los pañuelos del mar y de las paces
Ias tímidas pancartas del dolor
las liturgias del beso y de la sombra

nunca he traído tantas cosas
nunca he venido con tan poco

ahí esta el puente
para cruzarlo o para no cruzarlo
yolIo voy a cruzar
sin prevenciones

en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país

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A ponte

Para cruzá-la ou não cruzá-la
eis a ponte

na outra margem alguém me espera
com um pêssego e um país

trago comigo oferendas desusadas
entre elas um guarda-chuva de umbigo de madeira
um livro com os pânicos em branco
e um violão que não sei abraçar

venho com as faces da insônia
os lenços do mar e das pazes
os tímidos cartazes da dor
as liturgias do beijo e da sombra

nunca trouxe tanta coisa
nunca vim com tão pouco

eis a ponte
para cruzá-la ou não cruzá-la
e eu vou cruzar
sem prevenções

na outra margem alguém me espera
com um pêssego e um país

(De Preguntas al azar – 1984-1985)

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*http://coisasdavidabynick.blogspot.com/2009/09/el-puente.html

sábado, 3 de setembro de 2011

Tempos modernos

"Nas sociedades pré-modernas, espaço e tempo coincidem amplamente, na medida em que as dimensões espaciais da vida social são, para a maioria da população, e para quase todos os efeitos, dominadas pela "presença" — por atividades localizadas. O advento da modernidade arranca crescentemente o espaço do tempo fomentando relações entre outros "ausentes", localmente distantes de qualquer situação dada ou interação face a face. Em condições de modernidade, o lugar se torna cada vez mais fantasmagórico: isto, os locais são completamente penetrados e moldados em termos de influências sociais bem distantes deles."

[Trecho do livro "As consequências da modernidade", de Anthony Giddens]

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Estou lendo sobre a modernidade - e vivendo em um mundo pós-moderno, talvez.
Na verdade, é difícil caracterizar o mundo em que vivemos atualmente.
Tudo o que eu sei, é que a globalização parece ter tornado o mundo menor, uma vez que as relações não são mais limitadas pela condição da presença. E muito se pode fazer sem que se saia de casa.
O que isso quer dizer?
Não sei.
Talvez o advento da modernidade / pós-modernidade seja como uma luz que cega, pelo seu brilho intenso...
Todos ficamos maravilhados com os ditos "avanços" em muitas âmbitos da vida humana.
Mas um aspecto - para mim, muito importante - dessa vida está ficando para trás: o contato real entre as pessoas.
Numa postagem anterior, o texto falava sobre as redes sociais, que simulam uma interação... Sim, porque as pessoas passam o dia se "relacionando" com todos os seus amigos virtualmente, e isso é visto como algo bom.
Mas será mesmo que isso substitui a relação face-a-face? Isso é um progresso na nossa forma de contato humano?

Fico com Lulu Santos...

As gerações seguintes talvez se questionem mesmo sobre o "jeito que a gente arrumou pra não deixar de se amar"... e de se relacionar.

Pois meu medo é que acabemos como aquelas pessoas no filme do Wall-e, todos sentados confortavelmente em nossas cadeiras, acreditando que estamos vivendo - em uma simulação de vida, talvez.

Viver requer esforço.
Se relacionar requer sair do seu conforto e ir até as pessoas, ir ao encontro da vida.

"Dizer mais sim do que não", à vida real.


Tempos Modernos
[Lulu Santos]

Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear...

Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...



Contatos
[Lulu Santos]

Mergulhados em um sofá
Os contatos no telão
Navegando a bolha que é estarmos juntos

Você disse tanta besteira hilária
Que encheria um gibi
Eu lhe aumentei os sustos
Já vi esse filme, mas me esqueci
Como é bom

Mesmo após um dia intenso
Não devemos desencostar
Vai que por acaso falte o equilíbrio

Imagine que no futuro as pessoas
Vão ler sobre nós
E vão se admirar do jeito que a gente arrumou
Pra não deixar de se amar
_

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Galileu Galilei


"Se raciocinar sobre um problema difícil fosse a mesma coisa que carregar pesos, então muitos cavalos carregariam mais sacos de trigo que um cavalo só, e eu concordaria mesmo que a opinião de muitos valesse mais do que a de poucos; mas o raciocinar é como o correr, e não como o carregar. Assim, um cavalo de corrida sozinho correrá sempre mais do que cem cavalos frisões"

(Galileu Galilei - O Ensaiador)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A enxurrada de enganosas grandes ideias [O Estado de São Paulo]

O texto a seguir é uma reportagem* publicada no Jornal O Estado de São Paulo, no dia 21 de agosto de 2011.
Nela, Neal Gabler fala sobre a era da informação, e como a nossa fome por ela está desestimulando a criação de verdadeiras boas ideias, uma vez que estas se construiriam através de um pensamento que transcende a informação.
Além disso, ele faz uma crítica às redes sociais, falando sobre como elas estão tornando o nosso pensamento "preguiçoso".

Para não virar spoiler, paro por aqui.
A reportagem é longa, mas vale a pena gastar esse tempo com ela.

Boa leitura!


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A enxurrada de enganosas grandes ideias

No mundo pós-ideia, recebemos trilhões de dados, muitas vezes insignificantes, sem parar para pensar

21 de agosto de 2011 | 0h 00

Neal Gabler, do The New York Times - O Estado de S.Paulo

O número de julho/agosto de The Atlantic alardeia as "14 Maiores Ideias do Ano". Prenda o fôlego. As ideias incluem "Os jogadores são os donos do jogo" (n.º 12), "Wall Street: a mesma de sempre" (n.º 6), "Nada permanece secreto!" (n.º 2), e a maior de todas do ano, "A ascensão da classe média - só que não a nossa", que se refere às economias em crescimento de Brasil, Rússia, Índia e China. Pode soltar o ar. O leitor deve achar que nenhuma dessas ideias parece particularmente de tirar o fôlego. Nenhuma delas, aliás, é uma ideia.

Elas são mais observações. Mas não se deve culpar The Atlantic por confundir lugares comuns com visão intelectual. As ideias simplesmente não são o que costumavam ser. Em um passado distante, elas podiam acender debates, estimular outros pensamentos, incitar revoluções e mudar fundamentalmente as maneiras como observamos e pensamos o mundo.

Elas podiam penetrar na cultura geral e transformar pensadores em celebridades - notadamente Albert Einstein, mas também Reinhold Niebuhr, Daniel Bell, Betty Friedan, Carl Sagan e Stephen Jay Gould, para citar alguns. As próprias ideias podiam se tornar famosas: por exemplo, "o fim da ideologia", "o meio é a mensagem", "a mística feminina", "a teoria do Big Bang", "o fim da história". A grande ideia podia ganhar a capa da revista Time - "Deus está morto?" - e intelectuais como Norman Mailer, William F. Buckley Jr. e Gore Vidal seriam eventualmente convidados para as poltronas dos talk shows de fim de noite. Isso foi há uma eternidade.

Se nossas ideias parecem menores hoje, não é porque somos mais burros do que nossos antepassados, mas simplesmente porque não ligamos tanto para as ideias quanto eles ligavam. Aliás, estamos vivendo cada vez mais em um mundo pós-ideia - um mundo em que as ideias grandes, as que fazem pensar, que não podem ser instantaneamente monetizadas, têm tão pouco valor intrínseco que menos pessoas as estão gerando e menos canais as estão disseminando, a despeito da internet. As ideias ousadas estão praticamente fora de moda.

Argumento lógico. Não é segredo, especialmente nos Estados Unidos, que vivemos numa era pós-Iluminismo na qual racionalidade, ciência, argumento lógico e debate perderam a batalha em muitos setores e, talvez, até na sociedade em geral, para superstição, fé, opinião e ortodoxia. Embora continuemos fazendo avanços tecnológicos gigantescos, podemos estar na primeira geração que girou para trás o relógio da história - que retrocedeu intelectualmente de modos avançados de pensar para os velhos modos das crenças. Mas pós-Iluminismo e pós-ideia, embora relacionados, não são exatamente a mesma coisa.

Pós-Iluminismo refere-se a um estilo de pensar que já não mobiliza as técnicas do pensamento racional. Pós-ideia refere-se ao pensar que não é mais feito, independentemente do estilo.

O mundo pós-ideia vem se aproximando faz tempo, e muitos fatores contribuíram para isso. Vemos o recuo nas universidades do mundo real, e um encorajamento, e premiação, da especialização mais estreita em lugar da ousadia - de cuidar de plantas envasadas em vez de plantar florestas.

Vemos o eclipse do intelectual público na mídia em geral pelo sabichão que substitui extravagâncias por ponderação, e o concomitante declínio do ensaio em revistas de interesse geral. E temos a ascensão de uma cultura cada vez mais visual, especialmente entre os jovens - uma forma menos favorável à expressão de ideias.

Mas esses fatores, que começaram há décadas, foram mais provavelmente arautos do advento de um mundo pós-ideia que suas causas principais.

Vivemos na muito alardeada Era da Informação. Por cortesia da internet, temos a impressão de ter acesso imediato a tudo que alguém poderia querer saber. Certamente somos mais bem informados em história, ao menos quantitativamente. Há trilhões e trilhões de bytes circulando no éter - tudo para ser colhido e ser objeto de pensamento.

E é precisamente essa a questão. No passado, nós colhíamos informações não só para saber coisas. Isso era apenas o começo. Nós também colhíamos informações para convertê-las em alguma coisa maior que fatos e, em última análise, mais útil - em ideias que explicavam as informações. Buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente compreendê-lo, que é a função primordial das ideias. Grandes ideias explicam o mundo e nos explicam uns aos outros.

Karl Marx chamou a atenção para a relação entre os meios de produção e nossos sistemas sociais e políticos. Sigmund Freud nos ensinou a explorar nossas mentes como meio para compreender nossas emoções e comportamentos. Einstein reescreveu a física. Mais recentemente, Marshall McLuhan teorizou sobre a natureza da comunicação moderna e seu efeito na vida moderna. Essas ideias permitiram que nos desprendêssemos de nossa existência e tentássemos responder as grandes e atemorizantes questões de nossas vidas.

Mas se a informação foi um dia um alimento de ideias, na última década ela se tornou sua concorrente. Estamos como o agricultor que possui trigo demais para fabricar farinha. Somos inundados por tanta informação que não teríamos tempo para processá-la mesmo que o quiséssemos, e a maioria de nós não quer.

A coleta em si é cansativa: o que cada um de nossos amigos está fazendo neste particular momento, e no momento seguinte, e no seguinte; com quem Jennifer Aniston está saindo agora; qual video se tornará viral no YouTube neste momento; o que a princesa Letizia ou Kate Middleton estão usando hoje. Aliás, estamos vivendo dentro da nuvem de uma Lei de Gresham informática onde informações triviais expulsam informações significativas, mas trata-se também uma lei de Gresham nocional em que as informações, triviais ou não, expulsam ideias.

Preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato.

Ele nos mantém "por dentro", nos mantém conectados com nossos amigos e nossa tribo. As ideias são tão etéreas, tão pouco práticas, trabalho demais para recompensa de menos. Poucos falam ideias. Todos falam informação, geralmente informação pessoal. Onde é que você vai? O que está fazendo? Quem você anda vendo? Estas são as grandes questões de hoje.

Não é por acaso, com certeza, que o mundo pós-ideia brotou com o mundo das redes de relacionamento social. Apesar de haver sites e blogs dedicados a ideias, Twitter, Facebook, Myspace, etc ., os sites mais populares na web, são basicamente bolsas de informações destinadas a alimentar a fome insaciável de informação, embora essa dificilmente seja do tipo de informação que gera ideias. Ela é, em grande parte, inútil exceto na medida em que faz o possuidor da informação se sentir, bem... informado. Evidentemente, pode-se argumentar que esses sites não são diferentes do que a conversa era para gerações anteriores, e a conversa raramente criava grandes ideias, e se estaria certo.

Mas a analogia não é perfeita. Em primeiro lugar, os sites de relacionamento social são a principal forma de comunicação entre jovens, e estão suplantando os meios impressos, que é onde as ideias eram tipicamente gestadas. Depois, os sites de relacionamento social criam hábitos mentais que são inimigos do tipo de discurso deliberado que dá origem a ideias. Em lugar de teorias, hipóteses e argumentos importantes, obtemos tuítes instantâneos de 140 caracteres sobre comer um sanduíche ou assistir um programa de TV.

Universo intelectual. Embora as redes sociais possam alargar o círculo pessoal de alguém e até apresentá-lo a estranhos, isso não é mesma coisa que alargar o universo intelectual pessoal. Aliás, a tagarelice das redes sociais tende a encolher o universo da pessoa a ela mesma e seus amigos, enquanto pensamentos organizados em palavras, seja online seja na página impressa, alargam o foco pessoal.

Parafraseando o ditado famoso, geralmente atribuído ao jogador de beisebol americano "Yogi" Berra, de que não dá para pensar e rebater ao mesmo tempo, também não se pode pensar e tuitar ao mesmo tempo, não por ser impossível fazer tarefas múltiplas, mas porque tuitar - que é, em grande parte, um jorro, ou de opiniões breves sem sustentação, ou de descrições breves das próprias atividades prosaicas - é uma forma de distração e anti-pensamento.

As implicações para uma sociedade que não pensa grande são enormes. As ideias não são meros brinquedos intelectuais. Elas têm consequências práticas.

Um artista amigo lamentou recentemente que sentia o mundo da arte à deriva, pois não havia mais grandes críticos como Harold Rosenberg e Clement Greenberg para oferecer teorias da arte que poderiam fazer a arte frutificar e se revigorar. Outro amigo desenvolveu um argumento parecido sobre política. Embora os partidos debatam sobre quanto cortar no orçamento, ele gostaria de saber onde estão os John Rawises e Robert Nozicks que poderiam elevar o nível de nossa política.

Abundância de dados. O mesmo seguramente poderia ser dito da economia, onde John Maynard Keynes continua sendo o centro do debate quase 80 anos depois de propor sua teoria de injeção de estímulos pelo governo. Isso não significa que os sucessores de Rosenberg, Rawls e Keynes não existam, apenas que, se existirem, eles provavelmente não ganharão tração numa cultura que tem tão pouco uso para ideias, especialmente as grandes, excitantes e perigosas, e isso é verdade quer as ideias venham de acadêmicos ou de outros que não fazem parte de organizações de elite e desafiam a sabedoria convencional. Todos os pensadores são vítimas da abundância de informação, e as ideias dos pensadores de hoje também são vítimas dessa abundância.

Mas é especialmente verdade para grandes pensadores nas ciências sociais como o psicólogo cognitivo Steven Pinker, que teorizou sobre tudo - da origem da linguagem ao papel da genética na natureza humana -, ou o biólogo Richard Dawkins, que teve ideias grandes e controvertidas sobre tudo - do egoísmo a Deus -, ou o psicólogo Jonathan Haidt, que analisou sistemas morais diferentes e extraiu conclusões fascinantes sobre a relação - de moralidade a crenças políticas.

Mas como eles são cientistas e empíricos e não generalistas nas humanidades, o lugar a partir do qual as ideias eram costumeiramente popularizadas, eles sofrem um duplo golpe: não só o golpe contra as ideias em geral, mas o golpe contra a ciência, que é tipicamente considerada na mídia, na melhor hipótese, como mistificadora, na pior, como incompreensível. Uma geração atrás, esses homens teriam chegado a revistas populares e às telas da televisão. Agora, eles são expelidos pelo eflúvio informacional.

Alguém certamente dirá que as grandes ideias migraram para o mercado, mas há uma enorme diferença entre invenções com fins lucrativos e pensamentos intelectualmente desafiadores. Empresários têm muitas ideias, e alguns, como Steve Jobs, da Apple, trouxeram algumas ideias brilhantes no sentido "inovador" da palavra.

Mas, embora essas ideias possam mudar a maneira como vivemos, elas raramente transformam a maneira como pensamos. Elas são materiais, não nocionais. São os pensadores que estão em falta, e a situação provavelmente não vai mudar tão cedo.

Nós nos tornamos narcisistas da informação, tão desinteressados por qualquer coisa fora de nós e de nossos círculos de amizade ou por qualquer petisco que não possamos partilhar com esses amigos que se um Marx ou um Nietzsche surgisse subitamente trombeteando suas ideias, ninguém lhe daria a menor atenção, certamente não a mídia em geral, que aprendeu a servir ao nosso narcisismo.

O que o futuro pressagia é cada vez mais informação - Everests dela. Não haverá nada que não conheçamos. Mas não haverá ninguém pensando nisso. Pense nisso. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

É BOLSISTA SÊNIOR NO ANNENBERG NORMAN LEAR CENTER DA UNIVERSIDADE DO SUL DA CALIFÓRNIA E AUTOR DE "WALT DISNEY: THE TRIUMPH OF THE AMERICAN IMAGINATION"

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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Máscaras

"Todos nós usamos máscaras, toda hora, todos os dias, e às vezes nós as usamos tantas vezes que esquecemos de quem realmente somos. E às vezes, se tivermos sorte, alguém aparece e nos mostra quem realmente queremos ser… Quem devemos ser."*



[*Trecho do seriado Nikita (Warner).]

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Loucos e santos

Texto clichê, eu sei...

Mas me identifico muito, e acho muito bonito...

Feliz dia do amigo a todos que prezam a amizade em sua vida!


Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Eu sou do Sul

Em homenagem às infinitas vezes que tive de responder à pergunta "Você é do Sul, né?", desde que cheguei em São Paulo...
(a diferença no jeito de ser e de falar não escapa... não adianta.)

=)



Eu sou do Sul
(Os Serranos)

"Eu sou do Sul
É só olhar pra ver que eu sou do Sul
A minha terra tem o céu azul
É só olhar e ver.."

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Querência Amada
(Osvaldir e Carlos Magrão)

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Céu, sol, Sul, terra e cor
(Leonardo - Cantor Gaúcho)

"(...)
Eu quero me banhar nas fontes
E olhar horizontes com Deus,
E sentir que as cantigas nativas
Continuam vivas para os filhos meus.
Ver os campos florindo e
Crianças sorrindo felizes a cantar!
E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar
(...)
É o meu Rio Grande do Sul
Céu, sol, Sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor..."

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ao meu amor

Às vezes ele é 'A' e eu sou 'B'...
Muitas vezes eu sou 'A' e ele é 'Z'!
Mas mesmo as letras mais
diferentes e distantes
Podem formar palavras e histórias
lindas de se ver.

Nicole Nothen
[28/06/2011]

sábado, 4 de junho de 2011

No país do espelho...

"Um barco navega, sonhando, contente,
Na tarde de julho - e o sol, complacente,
O mar ilumina em fulgor resplandente...

Crianças felizes, na praia abrigadas,
Num grupo de três, a escutar, encantadas,
Um simples relato de lendas douradas...

Desbotam memórias a cada arrebol
Dos ecos arcanos de antigo farol -
As geadas do inverno mataram o sol!...

O fantasma de Alice assombra-me ainda,
Debaixo dos céus se movendo  - tão linda!
Na terra invisível de sonhos infinda...

Somente crianças, ao ouvirem a história,
Com olhos ansiosos, atentas à glória,
Percebem o ouro no meio da escória...

E fazem seus ninhos na Terra Encantada,
Sonhando de dia e na noite estrelada
Com mortos verões transformados em nada...

E ao serem jogadas na estrada corrida
É a mensagem dourada afinal percebida:
Que a vida é um sonho e que o sonho é a vida!..."


[Poema retirado do livro
"Alice no País do Espelho", de Lewis Carroll]

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mesótes

Estou lendo o Livro "Pensar o ambiente: Bases filosóficas para a educação ambiental", organizado por Isabel Cristina de Moura Carvalho, Mauro Grün e Rachel Trajber*.

Neste livro, alguns autores discutem as contribuições de vários pensadores, tais como Aristóteles, Marx, Freud, Vygotsky, e outros..., a respeito da relação natureza/ cultura/ ambiente.

Eis que, ao ler sobre o pensamento de Aristóteles, encontro o trecho reproduzido a seguir, que eu achei especialmente interessante...
Resolvi trazê-lo para o blog por dois motivos.

Primeiro porque fala sobre crescimento, amadurecimento, escolhas...

E segundo, porque percebo que ainda existem muitas pessoas que não conseguem enxergar a interlocução possível entre a Psicologia e o assunto "ambiente". E esse trecho aponta uma delas...
Poderíamos pensar em muitas outras, e é justamente o que esse livro faz. Mas por enquanto, deixo vocês com Aristóteles.
=)



"Aristóteles concebe a natureza como dotada de uma finalidade, um telos, considerando o ser humano como parte da natureza. Essa finalidade consiste em que cada coisa que pertence à natureza deve realizar o seu potencial; por exemplo, uma semente se transforma em árvore, um ser humano busca realizar-se plenamente em sua vida e em suas atividades. O processo de realização do próprio potencial, no caso dos objetos naturais, é imanente a eles mesmos, está inscrito em sua própria natureza e, dadas as condições adequadas, isso ocorrerá. No caso do ser humano, isso dependerá das decisões corretas que este tomar, daí, para Aristóteles, a importância da ética, enquanto racionalidade prática que nos leva a tomar as decisões corretas e a avaliar o que nos traz a felicidade, levando uma vida virtuosa. Essa vida virtuosa se define pela moderação ou equilíbrio em nossa forma de agir, evitando os excessos ou as deficiências. É nisso que consiste a doutrina aristotélica da justa medida, a mesótes."
(Danilo Marcondes)

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*Edição: MEC/ Unesco
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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ah essas dicotomias da vida...
Sentimento e pensamento. Ser e ter. Querer e poder.
E é a busca pelo equilíbrio que faz o viver...




Nicole Nothen

domingo, 24 de abril de 2011

Kairos

Kairos (καιρός, “o momento certo” ou “oportuno”) - Na estrutura temporal da civilização moderna, geralmente se emprega uma só palavra para significar o "tempo". Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: khronos e kairos. Enquanto o primeiro refere-se ao tempo cronológico, ou seqüencial, o tempo que se mede, esse último é um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece, a experiência do momento oportuno. É usada também em teologia para descrever a forma qualitativa do tempo, o "tempo de Deus", enquanto khronos é de natureza quantitativa, o "tempo dos homens".

[Texto retirado da Wikipédia.

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Há um tempo certo para tudo, especialmente na vida humana...
Por isso eu quis trazer esse texto sobre Kairos hoje.

Para lembrar que muitas (ou quase todas as) coisas na nossa vida acontecem quando têm que acontecer e não quando ou só porque queremos.
O que nós precisamos é ter paciência para esperar o "momento oportuno" e consciência para reconhecer quando esse tempo chega.

Assim, deixo-lhes com uma música do fundo do baú.. :)
que, independentemente de questões de gosto musical,
me fala muito deste "tempo certo".

Enjoy...
;)


À primeira vista
(Daniela Mercury)
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terça-feira, 19 de abril de 2011

Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?

"Tradição Milenar — O hábito de presentear ovos pintados a mão tem origem em rituais pagãos de celebração à chegada da primavera no Hemisfério Norte. Eles simbolizam a fertilidade e o renascimento da natureza em diversas culturas, como a hindu e a chinesa de 3.000 anos antes de Cristo.

A Igreja Católica reconheceu os ovos como símbolo de ressurreição de Cristo no século XVIII, quando começaram a ser distribuídos na Páscoa. Cem anos depois, eles ganharam versões de chocolate."

Fonte: Revista Época


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E então... chegou a semana da Páscoa.

Hoje, isso significa pessoas enlouquecidas atrás de ovos de chocolate, estourando o orçamento pra presentear família e amigos... e fazendo malabarismos pra driblar os filhos pequenos que choram desesperadamente pelo ovo de chocolate da Barbie, Ben 10, Hot Wheels ou seja lá qual for o personagem que faz o tal ovo ser o triplo do preço normal (já caríssimo...).

Esse é o espírito da coisa na Páscoa dos dias de hoje...

Mas um dia foi diferente... Lembram daquela tradição que ainda persiste em cidades pequenas, de pintar a casca de ovos de galinha, que depois seriam preenchidos com carrapinha?
Esses ovos eram obras de arte, pois cada pintura demonstrava a destreza de quem havia dedicado o seu tempo a enfeitar o tal ovo.
E esses ovos eram a brincadeira feita na manhã da Páscoa, quando as crianças acordavam para começar a busca pela casa atrás dos ovos enfeitados...

Isso era a Páscoa significando um momento familiar...
E não um momento comercial.

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Quer pensar na Páscoa sem ser a Ressurreição de Cristo e nem a morte do seu dinheiro?

Pense em renascimento.

Todos nós passamos por renascimentos durante as nossas vidas. 
Às vezes, é uma característica nossa que deixamos pra trás, um lugar, um jeito de ser, um status, um estado, um modo de enfrentar as coisas ou de encarar a vida, o qual já está ultrapassado; às vezes é um pensamento, sentimento, necessidade ou vontade... geralmente infantil, que confrontado com a realidade nos impõe uma adaptação...
Seja qual for a situação, pra haver renascimento é preciso ter uma morte. E então, morremos para renascermos melhores.

É doloroso, pois deixamos pra trás parte da nossa identidade, e aquilo que é velho, conhecido e familiar. Mas quando aceitamos e encaramos a vida nova, vemos o quanto ganhamos também...

Pra mim, esse é o significado desta Páscoa.


E para encerrar, deixo-lhes com Cecília Meireles:

"Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira." 


Desejo a todos uma Feliz Páscoa!!
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segunda-feira, 18 de abril de 2011

"Super Mario 'Father' "

Na Psicologia, sabemos que existe um processo que ocorre durante o nosso desenvolvimento que consiste na gradual tomada de consciência de que nossos pais não são super-heróis.

Na infância, acreditamos que nossos pais têm super-poderes e podem resolver qualquer problema - nosso ou do mundo.

Aos poucos, vamos descobrindo que eles não são mais do que seres humanos, fazendo um grande esforço (esse sim, sobre-humano) para atender as nossas necessidades.
E que se machucam, sofrem, são capazes de sentir e causar dor.
Têm falhas e às vezes precisam de ajuda também.

Hoje, 18 de abril, meu pai faz aniversário.
Ele é um homem comum, humilde, que já passou por muitos percalços na vida, mas que preferiu sempre enfrentar os seus dias com um sorriso no rosto.

E assim ele vive: sorrindo, sendo gentil, falando palavras boas muitas vezes a pessoas que ele está vendo pela primeira vez.

Homem, mulher, criança, jovem, idoso... A quem lhe permite, o meu pai alegra o dia, geralmente contando histórias com a habilidade de um Forest Gump, ou apenas conversando e sendo amável - característica tão em falta nos nossos (des)encontros do dia-a-dia.

[não preciso falar das inúmeras caras feias cheias de indisposição que encontramos por aí a fora...]

Ele não é perfeito - ninguém é - mas ele tem e sempre terá o meu amor, respeito, admiração e gratidão, pelo que ele é, fez e faz até hoje para viver a vida bem e me auxiliar da forma que pode a viver bem também...

Seu Mário, Feliz Aniversário da filha que te ama.

Nicole.

*Postagens Populares*

Só de Sacanagem

"Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até hábeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.

Eu repito, ouviram? Imortal! SEI QUE NÃO DÁ PARA MUDAR O COMEÇO MAS, SE A GENTE QUISER, VAI DAR PARA MUDAR O FINAL!"

[Elisa Lucinda]

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