E por um bom tempo foi assim... Até que o tempo encurtou, e o tal do FB tornou tudo mais "prático". Tá tudo ali já, é só "curtir"e "compartilhar". Mas no fim das contas, isso se torna tão automático que ninguém se lembra mais do que curtiu ou compartilhou ontem mesmo.quinta-feira, 29 de maio de 2014
É tudo culpa do Facebook!
E por um bom tempo foi assim... Até que o tempo encurtou, e o tal do FB tornou tudo mais "prático". Tá tudo ali já, é só "curtir"e "compartilhar". Mas no fim das contas, isso se torna tão automático que ninguém se lembra mais do que curtiu ou compartilhou ontem mesmo.sexta-feira, 7 de setembro de 2012
7 de setembro de 2012 (E 7 de outubro também)
7 de setembro, dia em que o Brasil comemora a sua Declaração de Independência, processo que culminou com a emancipação política do território brasileiro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no início do século XIX, e a instituição do Império do Brasil. Oficialmente, a data comemorada é a de 7 de setembro de 1822, em que ocorreu o chamado "Grito do Ipiranga". De acordo com a historiografia clássica do país, nesta data, às margens do riacho Ipiranga (atual cidade de São Paulo), o Príncipe Regente do Brasil, então D. Pedro de Alcântara de Bragança (futuro imperador Dom Pedro I do Brasil), terá bradado perante a sua comitiva: "Independência ou Morte!".
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Sobre a loucura... (18/05)
A loucura é o último recurso para lidar com o sofrimento psíquico.
Alguns têm mais recursos, outros menos. Mas ninguém está livre de sofrer.
Portanto, ninguém está livre de enlouquecer...
Trecho do filme "Bicho de sete cabeças" (2001)
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Luiz Bolognesi
Baseado no livro autobiográfico de Austregésilo Carrano Bueno, "Canto dos Malditos".
"É preciso fingir, quem é que não finge nesse mundo? Quem? É preciso dizer que está bem disposto. É preciso dizer que não está com fome. É preciso dizer que não está com dor de dente. É preciso dizer que não está com medo. Se não, não dá. Não dá. O médico jamais me disse que a fome e a pobreza podem levar ao distúrbio mental. Mas quem não come fica nervoso, quem não come e vê seus parentes sem comer pode chegar à loucura. O desgosto pode levar à loucura. Uma morte na família, o abandono do grande amor. A gente até precisa fingir que é louco sendo louco. Fingir que é poeta sendo poeta...."
O Buraco do Espelho
[Arnaldo Antunes]
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí
pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve
já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Occupy Wall Street -> Occupying our minds
É o que eu penso, assistindo e ouvindo acontecimentos no mundo todo, perto de mim e, também, diretamente comigo.
Digo por que.
Fui (tentar) viajar neste último feriadão do dia 15 de novembro. Digo "tentar" porque foi bem difícil embarcar no ônibus que, à princípio, deveria ter saído às 21:25h. Era de se esperar, racionalmente, algum tipo de atraso, pelo fato de ser véspera de feriadão, na rodoviária de uma capital, de onde milhares de cidadãos estavam tentando sair - na mesma hora. Mas aconteceu que ônibus com horário marcado após as 21:25h chegavam, embarcavam e saíam, sem que o das 21:25h tivesse dado qualquer sinal de estar chegando. Além disso, os motoristas destes ônibus diziam que "estavam todos perdidos".
Eu e outra passageira, então, nos dirigimos a uma sala (supostamente) VIP, que pertencia à empresa do nosso ônibus e mais 3 outras empresas. Aí começou a peripécia. Não conseguimos informação ali. Não só as funcionárias não sabiam o que havia acontecido com o ônibus, como não sabiam sequer o nome do responsável da empresa. Nos mandaram então até o guichê onde compramos as passagens. Nada lá também. Só nos diziam que o ônibus estava chegando (o mesmo que estavam dizendo desde às 21:15h, sendo que já era +ou- umas 22:30h). Nos mandaram de volta à plataforma, onde deveriam estar duas pessoas lá - RESPONSÁVEIS - da empresa.
Já havia um moço ali no guichê, indignado, principalmente com o fato de ninguém do outro lado do balcão mostrar qualquer sinal de empatia com a situação dos passageiros, ainda nos mandando procurar a solução em outro lugar - justamente o lugar de onde estávamos vindo, onde não havia ninguém da empresa (porque mais estaríamos ali??).
Nesse meio tempo, apareceram outro moço e uma menina - vindos da plataforma, informando ao senhor que nos "atendia" que os passageiros deste tal ônibus problemático haviam se instalado, juntamente com suas malas, no espaço onde eram feitos os embarques. Ou seja, nenhum ônibus mais iria fazer embarques, enquanto o nosso não chegasse. Nem preciso dizer que isso causou uma confusão enorme na rodoviária, já que outros ônibus começaram a atrasar também, devido a essa nossa ocupação. Houveram várias tentativas dos funcionários para nos tirar dali, mas ninguém se mexeu, inclusive ocupando outro box, que estava sendo utilizado pelas empresas da sala VIP mencionada. Alguém então gritou: "se vocês não saírem, vamos chamar a polícia!". Sabem qual foi a resposta? Pode chamar. Gostaríamos muito que alguém resolvesse essa situação. Afinal, nós estávamos com a razão.
![]() |
| Placa do movimento OWS |
A atitude correta da empresa seria, primeiro, ter um ônibus extra.. Segundo, dirigir-se aos passageiros dizendo: "Senhores passageiros do ônibus X, com saída prevista para as 21:25h, o referido ônibus teve problemas, os quais estamos tentando resolver e, dentro de tanto tempo, esperamos efetuar o seu embarque. Favor aguardem em tal lugar" (a sala VIP então serviria, quem sabe, para alguma coisa)".
Enfim, depois de muito tumulto e muito cansaço, o nosso ônibus finalmente apareceu. À meia-noite.
Ah! E nenhuma das pessoas da empresa, que deveriam estar na plataforma, apareceram. Pelo menos em todo o tempo em que estávamos ali.
---
Peço desculpas pela história longa, mas achei que deveria compartilhar a experiencia, como ela ocorreu.
Durante a nossa pequena "ocupação" e depois também, conversando com alguns passageiros - todos jovens, na faixa dos 20, 30 - ouvi um passageiro dizer que viaja há muito tempo, e já viu muitas situações assim acontecerem, inclusive com ele, mas que nunca ninguém se movimentava, se organizava e protestava, da forma como fizemos aquele dia, para reivindicar alguma solução.
E eu acredito que isso só aconteceu pelo espírito do movimento OWS, que se espalha pelo mundo, inspirando pessoas de todos os lugares e em diversas situações.
![]() |
| Placa do OWS |
As pessoas não querem mais ficar caladas diante daquilo que está - de forma clara e cristalina - errado. As pessoas estão tomando consciência do poder da maioria, do poder que temos se juntarmos as forças para lutarmos por aquilo que achamos mais correto, mais adequado para nós.
Eu aplaudo o movimento OWS, pela coragem, determinação, clareza de organização. Sei que este movimento se inspirou em outros eventos ocorridos anteriormente, na Espanha, além dos eventos ocorridos nos países Árabes, também.
Mas a repercussão mundial se deve ao OWS. A força de perpetuação das idéias, também.
A clareza com que os manifestantes enxergam os meios corretos de agir, de expôr as idéias - SEM VIOLÊNCIA, não cansam de repetir - também.
Vejo as notícias de cada região, país, estado, fazendo o seu próprio "Occupy...", e torço para que as pessoas mantenham a clareza dos meios, já que os objetivos variam de acordo com as necessidades de cada grupo.
O MOVIMENTO OCCUPY WALL STREET INSPIRA AS PESSOAS A MANIFESTAREM AS SUAS INSATISFAÇÕES - MAS COM ARGUMENTAÇÃO BEM FUNDAMENTADA E SEM VIOLÊNCIA ALGUMA - Esta é a sua mensagem principal.

Espero que esse espírito se perpetue e permaneça nas pessoas. Que se torne uma postura através da qual as pessoas reivindiquem aquelas coisas que são NECESSÁRIAS A TODOS, mas que no caminho torcido seguido pela humanidade até agora, tem estado disponível apenas para poucos.
Nicole Nothen de Oliveira
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
A Formiga
Às vezes, quando estou a caminho do trabalho, pensando o quanto estou cansada e quanto ainda há para ser feito, penso naquela formiga que cruza o meu caminho carregando algo que pesa muito mais do que ela.
Sim, as formigas conseguem carregar um peso até 100 vezes maior do que o seu próprio.
Quando as vejo fazendo isso, penso que elas vivem trabalhando para um bem comum. Mesmo se não tiverem consciência disso...
E eu acredito que, se for para o bem comum, todo trabalho vale a pena.
Então, lá vou eu carregar a folhinha que me compete!
Um bom final de semana a todos!
sábado, 15 de outubro de 2011
Ocupar Wall Street / Wind of Change
![]() |
| Placa da Manifestação "Occupy Wall Street" |
(...)
"Enquanto numerosos homens reunidos se consideram como um corpo único, sua vontade também é única e se relaciona com a comum conservação e o bem-estar geral. Todas as molas do Estado são então vigorosas e simples, suas sentenças são claras e luminosas; não há interesses embaraçados, contraditórios; o bem comum mostra-se por toda parte com evidência e apenas demanda bom senso para ser percebido. A paz, a união, a igualdade são inimigas das sutilezas políticas. Os homens retos e simples são difíceis de enganar, justamente em virtude de sua simplicidade; os engodos, os pretextos refinados, não se impõem a eles, que, de resto, não são assaz sutis para serem tolos. Quando vemos, entre o povo mais feliz do mundo, grupos de camponeses regularizarem, à sombra de um carvalho, os negócios do Estado, e se conduzirem sempre com sabedoria, podemos evitar o menosprezo dos refinamentos das outras nações, que se tornam ilustres e desdenhadas com tantos artifícios e mistérios?
[Trechos do livro de Jean-Jacques Rousseau, O Contrato Social (1972).]
![]() |
| Manifestante da "Occupy Wall Street" |
Wind of Change
Scorpions
Venham todos ocupar Wall Street, pede Michael Moore
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18595
Naomi Klein: Ocupa Wall Street é o movimento mais importante do mundo hoje
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18653
Chomsky apoia movimento Ocupa Wall Street
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18609
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
El puente (2)
Em um deles, nós fazíamos grupos com adolescentes e ali discutíamos a construção da identidade e as consequências desse processo na vida deles (e de alguma maneira, acabamos refletindo sobre a nossa também).
Uma das conclusões desses trabalhos foi que, independentemente da época da vida em que nos encontramos, chegaremos - vez ou outra - em um ponto onde teremos que tomar decisões e, dessa maneira, perder e ganhar coisas ao longo do caminho.
Um símbolo desse trabalho foi, na época, a ponte*, representando a travessia que os adolescentes têm de fazer rumo à vida adulta.
Agora, a ponte aparece mais uma vez pra mim, talvez trazendo representações outras... que ainda estão por ser reveladas.
Seja qual for a forma que isso ocorra, a ponte tem, certamente, um alto valor simbólico...
Assim, deixo vocês com um poema muito bonito de Mário Benedetti, "El Puente":
El Puente
Para cruzarlo o para no cruzarlo
ahí está el puente
en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país
traigo conmigo ofrendas desusadas
entre ellas un paraguas de ombligo de madera
un libro con los pánicos en blanco
y una guitarra que no sé abrazar
vengo con las mejillas del insomnio
los pañuelos del mar y de las paces
Ias tímidas pancartas del dolor
las liturgias del beso y de la sombra
nunca he traído tantas cosas
nunca he venido con tan poco
ahí esta el puente
para cruzarlo o para no cruzarlo
yolIo voy a cruzar
sin prevenciones
en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país
---
A ponte
Para cruzá-la ou não cruzá-la
eis a ponte
na outra margem alguém me espera
com um pêssego e um país
trago comigo oferendas desusadas
entre elas um guarda-chuva de umbigo de madeira
um livro com os pânicos em branco
e um violão que não sei abraçar
venho com as faces da insônia
os lenços do mar e das pazes
os tímidos cartazes da dor
as liturgias do beijo e da sombra
nunca trouxe tanta coisa
nunca vim com tão pouco
eis a ponte
para cruzá-la ou não cruzá-la
e eu vou cruzar
sem prevenções
na outra margem alguém me espera
com um pêssego e um país
(De Preguntas al azar – 1984-1985)
---
*http://coisasdavidabynick.blogspot.com/2009/09/el-puente.html
sábado, 3 de setembro de 2011
Tempos modernos
Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear...
Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão...
Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...
Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...
Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...
Os contatos no telão
Navegando a bolha que é estarmos juntos
Você disse tanta besteira hilária
Que encheria um gibi
Eu lhe aumentei os sustos
Já vi esse filme, mas me esqueci
Como é bom
Mesmo após um dia intenso
Não devemos desencostar
Vai que por acaso falte o equilíbrio
Imagine que no futuro as pessoas
Vão ler sobre nós
E vão se admirar do jeito que a gente arrumou
Pra não deixar de se amar
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Galileu Galilei
"Se raciocinar sobre um problema difícil fosse a mesma coisa que carregar pesos, então muitos cavalos carregariam mais sacos de trigo que um cavalo só, e eu concordaria mesmo que a opinião de muitos valesse mais do que a de poucos; mas o raciocinar é como o correr, e não como o carregar. Assim, um cavalo de corrida sozinho correrá sempre mais do que cem cavalos frisões"
(Galileu Galilei - O Ensaiador)
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A enxurrada de enganosas grandes ideias [O Estado de São Paulo]
A enxurrada de enganosas grandes ideias
No mundo pós-ideia, recebemos trilhões de dados, muitas vezes insignificantes, sem parar para pensar
21 de agosto de 2011 | 0h 00
Neal Gabler, do The New York Times - O Estado de S.Paulo
O número de julho/agosto de The Atlantic alardeia as "14 Maiores Ideias do Ano". Prenda o fôlego. As ideias incluem "Os jogadores são os donos do jogo" (n.º 12), "Wall Street: a mesma de sempre" (n.º 6), "Nada permanece secreto!" (n.º 2), e a maior de todas do ano, "A ascensão da classe média - só que não a nossa", que se refere às economias em crescimento de Brasil, Rússia, Índia e China. Pode soltar o ar. O leitor deve achar que nenhuma dessas ideias parece particularmente de tirar o fôlego. Nenhuma delas, aliás, é uma ideia.
Elas são mais observações. Mas não se deve culpar The Atlantic por confundir lugares comuns com visão intelectual. As ideias simplesmente não são o que costumavam ser. Em um passado distante, elas podiam acender debates, estimular outros pensamentos, incitar revoluções e mudar fundamentalmente as maneiras como observamos e pensamos o mundo.
Elas podiam penetrar na cultura geral e transformar pensadores em celebridades - notadamente Albert Einstein, mas também Reinhold Niebuhr, Daniel Bell, Betty Friedan, Carl Sagan e Stephen Jay Gould, para citar alguns. As próprias ideias podiam se tornar famosas: por exemplo, "o fim da ideologia", "o meio é a mensagem", "a mística feminina", "a teoria do Big Bang", "o fim da história". A grande ideia podia ganhar a capa da revista Time - "Deus está morto?" - e intelectuais como Norman Mailer, William F. Buckley Jr. e Gore Vidal seriam eventualmente convidados para as poltronas dos talk shows de fim de noite. Isso foi há uma eternidade.
Se nossas ideias parecem menores hoje, não é porque somos mais burros do que nossos antepassados, mas simplesmente porque não ligamos tanto para as ideias quanto eles ligavam. Aliás, estamos vivendo cada vez mais em um mundo pós-ideia - um mundo em que as ideias grandes, as que fazem pensar, que não podem ser instantaneamente monetizadas, têm tão pouco valor intrínseco que menos pessoas as estão gerando e menos canais as estão disseminando, a despeito da internet. As ideias ousadas estão praticamente fora de moda.
Argumento lógico. Não é segredo, especialmente nos Estados Unidos, que vivemos numa era pós-Iluminismo na qual racionalidade, ciência, argumento lógico e debate perderam a batalha em muitos setores e, talvez, até na sociedade em geral, para superstição, fé, opinião e ortodoxia. Embora continuemos fazendo avanços tecnológicos gigantescos, podemos estar na primeira geração que girou para trás o relógio da história - que retrocedeu intelectualmente de modos avançados de pensar para os velhos modos das crenças. Mas pós-Iluminismo e pós-ideia, embora relacionados, não são exatamente a mesma coisa.
Pós-Iluminismo refere-se a um estilo de pensar que já não mobiliza as técnicas do pensamento racional. Pós-ideia refere-se ao pensar que não é mais feito, independentemente do estilo.
O mundo pós-ideia vem se aproximando faz tempo, e muitos fatores contribuíram para isso. Vemos o recuo nas universidades do mundo real, e um encorajamento, e premiação, da especialização mais estreita em lugar da ousadia - de cuidar de plantas envasadas em vez de plantar florestas.
Vemos o eclipse do intelectual público na mídia em geral pelo sabichão que substitui extravagâncias por ponderação, e o concomitante declínio do ensaio em revistas de interesse geral. E temos a ascensão de uma cultura cada vez mais visual, especialmente entre os jovens - uma forma menos favorável à expressão de ideias.
Mas esses fatores, que começaram há décadas, foram mais provavelmente arautos do advento de um mundo pós-ideia que suas causas principais.
Vivemos na muito alardeada Era da Informação. Por cortesia da internet, temos a impressão de ter acesso imediato a tudo que alguém poderia querer saber. Certamente somos mais bem informados em história, ao menos quantitativamente. Há trilhões e trilhões de bytes circulando no éter - tudo para ser colhido e ser objeto de pensamento.
E é precisamente essa a questão. No passado, nós colhíamos informações não só para saber coisas. Isso era apenas o começo. Nós também colhíamos informações para convertê-las em alguma coisa maior que fatos e, em última análise, mais útil - em ideias que explicavam as informações. Buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente compreendê-lo, que é a função primordial das ideias. Grandes ideias explicam o mundo e nos explicam uns aos outros.
Karl Marx chamou a atenção para a relação entre os meios de produção e nossos sistemas sociais e políticos. Sigmund Freud nos ensinou a explorar nossas mentes como meio para compreender nossas emoções e comportamentos. Einstein reescreveu a física. Mais recentemente, Marshall McLuhan teorizou sobre a natureza da comunicação moderna e seu efeito na vida moderna. Essas ideias permitiram que nos desprendêssemos de nossa existência e tentássemos responder as grandes e atemorizantes questões de nossas vidas.
Mas se a informação foi um dia um alimento de ideias, na última década ela se tornou sua concorrente. Estamos como o agricultor que possui trigo demais para fabricar farinha. Somos inundados por tanta informação que não teríamos tempo para processá-la mesmo que o quiséssemos, e a maioria de nós não quer.
A coleta em si é cansativa: o que cada um de nossos amigos está fazendo neste particular momento, e no momento seguinte, e no seguinte; com quem Jennifer Aniston está saindo agora; qual video se tornará viral no YouTube neste momento; o que a princesa Letizia ou Kate Middleton estão usando hoje. Aliás, estamos vivendo dentro da nuvem de uma Lei de Gresham informática onde informações triviais expulsam informações significativas, mas trata-se também uma lei de Gresham nocional em que as informações, triviais ou não, expulsam ideias.
Preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato.
Ele nos mantém "por dentro", nos mantém conectados com nossos amigos e nossa tribo. As ideias são tão etéreas, tão pouco práticas, trabalho demais para recompensa de menos. Poucos falam ideias. Todos falam informação, geralmente informação pessoal. Onde é que você vai? O que está fazendo? Quem você anda vendo? Estas são as grandes questões de hoje.
Não é por acaso, com certeza, que o mundo pós-ideia brotou com o mundo das redes de relacionamento social. Apesar de haver sites e blogs dedicados a ideias, Twitter, Facebook, Myspace, etc ., os sites mais populares na web, são basicamente bolsas de informações destinadas a alimentar a fome insaciável de informação, embora essa dificilmente seja do tipo de informação que gera ideias. Ela é, em grande parte, inútil exceto na medida em que faz o possuidor da informação se sentir, bem... informado. Evidentemente, pode-se argumentar que esses sites não são diferentes do que a conversa era para gerações anteriores, e a conversa raramente criava grandes ideias, e se estaria certo.
Mas a analogia não é perfeita. Em primeiro lugar, os sites de relacionamento social são a principal forma de comunicação entre jovens, e estão suplantando os meios impressos, que é onde as ideias eram tipicamente gestadas. Depois, os sites de relacionamento social criam hábitos mentais que são inimigos do tipo de discurso deliberado que dá origem a ideias. Em lugar de teorias, hipóteses e argumentos importantes, obtemos tuítes instantâneos de 140 caracteres sobre comer um sanduíche ou assistir um programa de TV.
Universo intelectual. Embora as redes sociais possam alargar o círculo pessoal de alguém e até apresentá-lo a estranhos, isso não é mesma coisa que alargar o universo intelectual pessoal. Aliás, a tagarelice das redes sociais tende a encolher o universo da pessoa a ela mesma e seus amigos, enquanto pensamentos organizados em palavras, seja online seja na página impressa, alargam o foco pessoal.
Parafraseando o ditado famoso, geralmente atribuído ao jogador de beisebol americano "Yogi" Berra, de que não dá para pensar e rebater ao mesmo tempo, também não se pode pensar e tuitar ao mesmo tempo, não por ser impossível fazer tarefas múltiplas, mas porque tuitar - que é, em grande parte, um jorro, ou de opiniões breves sem sustentação, ou de descrições breves das próprias atividades prosaicas - é uma forma de distração e anti-pensamento.
As implicações para uma sociedade que não pensa grande são enormes. As ideias não são meros brinquedos intelectuais. Elas têm consequências práticas.
Um artista amigo lamentou recentemente que sentia o mundo da arte à deriva, pois não havia mais grandes críticos como Harold Rosenberg e Clement Greenberg para oferecer teorias da arte que poderiam fazer a arte frutificar e se revigorar. Outro amigo desenvolveu um argumento parecido sobre política. Embora os partidos debatam sobre quanto cortar no orçamento, ele gostaria de saber onde estão os John Rawises e Robert Nozicks que poderiam elevar o nível de nossa política.
Abundância de dados. O mesmo seguramente poderia ser dito da economia, onde John Maynard Keynes continua sendo o centro do debate quase 80 anos depois de propor sua teoria de injeção de estímulos pelo governo. Isso não significa que os sucessores de Rosenberg, Rawls e Keynes não existam, apenas que, se existirem, eles provavelmente não ganharão tração numa cultura que tem tão pouco uso para ideias, especialmente as grandes, excitantes e perigosas, e isso é verdade quer as ideias venham de acadêmicos ou de outros que não fazem parte de organizações de elite e desafiam a sabedoria convencional. Todos os pensadores são vítimas da abundância de informação, e as ideias dos pensadores de hoje também são vítimas dessa abundância.
Mas é especialmente verdade para grandes pensadores nas ciências sociais como o psicólogo cognitivo Steven Pinker, que teorizou sobre tudo - da origem da linguagem ao papel da genética na natureza humana -, ou o biólogo Richard Dawkins, que teve ideias grandes e controvertidas sobre tudo - do egoísmo a Deus -, ou o psicólogo Jonathan Haidt, que analisou sistemas morais diferentes e extraiu conclusões fascinantes sobre a relação - de moralidade a crenças políticas.
Mas como eles são cientistas e empíricos e não generalistas nas humanidades, o lugar a partir do qual as ideias eram costumeiramente popularizadas, eles sofrem um duplo golpe: não só o golpe contra as ideias em geral, mas o golpe contra a ciência, que é tipicamente considerada na mídia, na melhor hipótese, como mistificadora, na pior, como incompreensível. Uma geração atrás, esses homens teriam chegado a revistas populares e às telas da televisão. Agora, eles são expelidos pelo eflúvio informacional.
Alguém certamente dirá que as grandes ideias migraram para o mercado, mas há uma enorme diferença entre invenções com fins lucrativos e pensamentos intelectualmente desafiadores. Empresários têm muitas ideias, e alguns, como Steve Jobs, da Apple, trouxeram algumas ideias brilhantes no sentido "inovador" da palavra.
Mas, embora essas ideias possam mudar a maneira como vivemos, elas raramente transformam a maneira como pensamos. Elas são materiais, não nocionais. São os pensadores que estão em falta, e a situação provavelmente não vai mudar tão cedo.
Nós nos tornamos narcisistas da informação, tão desinteressados por qualquer coisa fora de nós e de nossos círculos de amizade ou por qualquer petisco que não possamos partilhar com esses amigos que se um Marx ou um Nietzsche surgisse subitamente trombeteando suas ideias, ninguém lhe daria a menor atenção, certamente não a mídia em geral, que aprendeu a servir ao nosso narcisismo.
O que o futuro pressagia é cada vez mais informação - Everests dela. Não haverá nada que não conheçamos. Mas não haverá ninguém pensando nisso. Pense nisso. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK
É BOLSISTA SÊNIOR NO ANNENBERG NORMAN LEAR CENTER DA UNIVERSIDADE DO SUL DA CALIFÓRNIA E AUTOR DE "WALT DISNEY: THE TRIUMPH OF THE AMERICAN IMAGINATION"
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Máscaras
[*Trecho do seriado Nikita (Warner).]
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Loucos e santos
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Eu sou do Sul
(a diferença no jeito de ser e de falar não escapa... não adianta.)
=)
Eu sou do Sul
(Os Serranos)
"Eu sou do Sul
É só olhar pra ver que eu sou do Sul
A minha terra tem o céu azul
É só olhar e ver.."
--
Querência Amada
(Osvaldir e Carlos Magrão)
"(...)
Eu quero me banhar nas fontes
E olhar horizontes com Deus,
E sentir que as cantigas nativas
Continuam vivas para os filhos meus.
Ver os campos florindo e
Crianças sorrindo felizes a cantar!
E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar
(...)
É o meu Rio Grande do Sul
Céu, sol, Sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor..."
terça-feira, 28 de junho de 2011
Ao meu amor
Muitas vezes eu sou 'A' e ele é 'Z'!
Mas mesmo as letras mais
diferentes e distantes
Podem formar palavras e histórias
lindas de se ver.
Nicole Nothen
[28/06/2011]
sábado, 4 de junho de 2011
No país do espelho...
Na tarde de julho - e o sol, complacente,
O mar ilumina em fulgor resplandente...
Crianças felizes, na praia abrigadas,
Num grupo de três, a escutar, encantadas,
Um simples relato de lendas douradas...
Desbotam memórias a cada arrebol
Dos ecos arcanos de antigo farol -
As geadas do inverno mataram o sol!...
O fantasma de Alice assombra-me ainda,
Debaixo dos céus se movendo - tão linda!
Na terra invisível de sonhos infinda...
Somente crianças, ao ouvirem a história,
Com olhos ansiosos, atentas à glória,
Percebem o ouro no meio da escória...
E fazem seus ninhos na Terra Encantada,
Sonhando de dia e na noite estrelada
Com mortos verões transformados em nada...
E ao serem jogadas na estrada corrida
É a mensagem dourada afinal percebida:
Que a vida é um sonho e que o sonho é a vida!..."
[Poema retirado do livro
"Alice no País do Espelho", de Lewis Carroll]
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Mesótes
Neste livro, alguns autores discutem as contribuições de vários pensadores, tais como Aristóteles, Marx, Freud, Vygotsky, e outros..., a respeito da relação natureza/ cultura/ ambiente.

"Aristóteles concebe a natureza como dotada de uma finalidade, um telos, considerando o ser humano como parte da natureza. Essa finalidade consiste em que cada coisa que pertence à natureza deve realizar o seu potencial; por exemplo, uma semente se transforma em árvore, um ser humano busca realizar-se plenamente em sua vida e em suas atividades. O processo de realização do próprio potencial, no caso dos objetos naturais, é imanente a eles mesmos, está inscrito em sua própria natureza e, dadas as condições adequadas, isso ocorrerá. No caso do ser humano, isso dependerá das decisões corretas que este tomar, daí, para Aristóteles, a importância da ética, enquanto racionalidade prática que nos leva a tomar as decisões corretas e a avaliar o que nos traz a felicidade, levando uma vida virtuosa. Essa vida virtuosa se define pela moderação ou equilíbrio em nossa forma de agir, evitando os excessos ou as deficiências. É nisso que consiste a doutrina aristotélica da justa medida, a mesótes."
(Danilo Marcondes)
segunda-feira, 2 de maio de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
Kairos
terça-feira, 19 de abril de 2011
Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?
A Igreja Católica reconheceu os ovos como símbolo de ressurreição de Cristo no século XVIII, quando começaram a ser distribuídos na Páscoa. Cem anos depois, eles ganharam versões de chocolate."
Fonte: Revista Época
É doloroso, pois deixamos pra trás parte da nossa identidade, e aquilo que é velho, conhecido e familiar. Mas quando aceitamos e encaramos a vida nova, vemos o quanto ganhamos também...
Desejo a todos uma Feliz Páscoa!!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
"Super Mario 'Father' "
Na infância, acreditamos que nossos pais têm super-poderes e podem resolver qualquer problema - nosso ou do mundo.
Aos poucos, vamos descobrindo que eles não são mais do que seres humanos, fazendo um grande esforço (esse sim, sobre-humano) para atender as nossas necessidades.
E que se machucam, sofrem, são capazes de sentir e causar dor.
Têm falhas e às vezes precisam de ajuda também.
Hoje, 18 de abril, meu pai faz aniversário.
Ele é um homem comum, humilde, que já passou por muitos percalços na vida, mas que preferiu sempre enfrentar os seus dias com um sorriso no rosto.
E assim ele vive: sorrindo, sendo gentil, falando palavras boas muitas vezes a pessoas que ele está vendo pela primeira vez.
Homem, mulher, criança, jovem, idoso... A quem lhe permite, o meu pai alegra o dia, geralmente contando histórias com a habilidade de um Forest Gump, ou apenas conversando e sendo amável - característica tão em falta nos nossos (des)encontros do dia-a-dia.
[não preciso falar das inúmeras caras feias cheias de indisposição que encontramos por aí a fora...]
Ele não é perfeito - ninguém é - mas ele tem e sempre terá o meu amor, respeito, admiração e gratidão, pelo que ele é, fez e faz até hoje para viver a vida bem e me auxiliar da forma que pode a viver bem também...
Seu Mário, Feliz Aniversário da filha que te ama.
Nicole.
*Postagens Populares*
-
A Estrada [Cidade Negra] "Você não sabe O quanto eu caminhei Prá chegar até aqui Percorri milhas e milhas Antes de dormir Eu nem ...
-
Primeira postagem depois de formada. Sim, Me formei semana passada em Psicologia. E querem saber como me sinto? Como a Alice no dese...
-
A vida é boa pra mim. Não sei porque andei reclamando tanto dela. =D _
-
para o meu amor, nesses dias cinzentos... "You are my sunshine, my only sunshine You make me happy when skies are gray You'll never...
-
Hoje escutei essa música na rádio e ela me despertou lembranças e sentimentos bons... Decidi compartilhar. Além da melodia suave e bonita...
-
Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vont...
-
Agora é muita música pra elaborar, não tem jeito... =) Cá estou eu, no início do que eu espero ser a realização de um sonho profissional...
Só de Sacanagem
"Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até hábeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? Imortal! SEI QUE NÃO DÁ PARA MUDAR O COMEÇO MAS, SE A GENTE QUISER, VAI DAR PARA MUDAR O FINAL!"











